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Revisado em

Calculadora

Calculadora CLT vs PJ

Compare ganho líquido entre regime CLT e PJ

Cenário CLT

Seu salário bruto em regime CLT

R$

Valor antes de INSS e IRPF

Proposta PJ

Valor que você receberia como PJ

R$

Quanto está oferecendo como PJ

R$

Equipamentos, combustível, aluguel do espaço

Comparação

R$ 5.641,38

CLT é melhor

Diferença: 24.34%: R$ 1.372,90

Ganho Líquido Mensal

CLT - Salário líquido
R$ 4.474,71
CLT - Benefícios (13º, FGTS, vale)
+ R$ 1.166,67
Diluído mensalmente
CLT Total
R$ 5.641,38
PJ - Proposta
R$ 6.000,00
PJ - Líquido (após INSS, IRPF, contador)
R$ 4.268,48
PJ Necessária para igualar CLT
R$ 8.929,51
79% a mais que CLT

Para o seu cenário, a simulação indica que seria preciso faturar cerca de R$ 8.929,51 por mês como PJ para chegar ao mesmo ganho líquido de R$ 5.641,38 por mês em CLT, já somados FGTS, 13º e férias.

É uma estimativa educativa. Ela não considera despesas próprias do seu negócio (equipamentos, coworking, certificado digital, seguros), variações de anexo e alíquota no Simples Nacional ao longo do ano, nem o risco de reconhecimento de vínculo quando a relação mantém as características de emprego. Consulte um contador antes de decidir.

Como ler o resultado desta calculadora

O número mais importante da simulação não é o líquido de nenhum dos dois lados: é o faturamento de equilíbrio, a nota fiscal mensal que faria o seu bolso terminar o mês igual nos dois regimes. Ele quase sempre sai bem acima do salário bruto, e isso costuma ser o primeiro susto de quem roda a conta.

A distância tem duas causas somadas. A calculadora não compara a proposta PJ com o seu salário bruto: compara com o seu líquido mais os direitos que o contrato paga fora do contracheque, diluídos mês a mês. E o valor faturado como PJ não chega inteiro na conta — contribuição, contabilidade e imposto consomem parte dele antes. A nota precisa vencer os dois efeitos ao mesmo tempo.

Um exemplo com os números da própria simulação, para um salário bruto de R$ 6.000 sem dependentes e sem despesas dedutíveis: o líquido CLT estimado é R$ 4.973,39, os direitos amortizados somam R$ 1.400,00, o pacote total fica em R$ 6.373,39 — e o faturamento de equilíbrio estimado é R$ 10.310,67 por mês, cerca de 72% acima do salário bruto.

O que a CLT paga fora do contracheque

A simulação avalia os direitos do contrato em 23,33% do salário bruto, repartidos em duas parcelas: 1/12 do salário, que é a forma mensal do 13º, mais 15% que representam FGTS, férias com o adicional de um terço e os demais encargos habituais. No salário de R$ 6.000 isso é R$ 500,00 de 13º e R$ 900,00 do restante.

A mecânica de cada item ajuda a entender por que eles viram valor mensal:

  • 13º salário: um salário extra por ano. Dividido por doze, é 1/12 do bruto a cada mês, ainda que você só veja o dinheiro em dezembro.
  • FGTS: depósito mensal de 8% do salário feito pelo empregador em conta vinculada. Não sai do contracheque nem aparece nele, mas é patrimônio seu.
  • Multa de 40%: incide sobre o saldo do FGTS na demissão sem justa causa. Cresce com o tempo de casa e só existe porque existe vínculo.
  • Férias com um terço: um mês de descanso por ano com o salário mantido, mais um adicional de um terço. O salário desse mês você receberia de qualquer forma; o que entra na conta como ganho extra é o adicional.
  • Aviso prévio: período pago entre a comunicação da demissão e o fim do contrato. É um colchão de tempo, não só de dinheiro.

Esses 23,33% são uma premissa de modelagem desta calculadora, não um percentual escrito em lei. Empresas com plano de saúde robusto, participação nos lucros ou previdência privada entregam mais; contratos enxutos entregam menos. Se o seu pacote é mais generoso que a média, o faturamento de equilíbrio real é ainda maior que o estimado aqui.

Para onde vai o faturamento de um PJ

Do lado PJ, a simulação tira três coisas da nota antes de chegar ao líquido: a contribuição previdenciária, o honorário do contador e o imposto de renda sobre o que sobra. No faturamento de equilíbrio de R$ 10.310,67 do exemplo, isso significa cerca de R$ 2.062,13 de contribuição, R$ 515,53 de contabilidade e R$ 1.359,62 de imposto — cerca de 38% do que é faturado não chega à sua conta.

Duas consequências práticas desse desenho merecem atenção na hora de negociar. A primeira é que a contribuição previdenciária é aplicada como 20% sobre todo o faturamento, sem aplicar o teto do RGPS de R$ 8.475,55 que limita a contribuição de um empregado a R$ 988,09 por mês. Na prática o pró-labore tem teto, e quem o respeita paga menos do que a simulação mostra: esta é, portanto, a ponta conservadora da estimativa.

A segunda é a margem de cada real adicional. Na faixa mais alta da tabela, cerca de 53 centavos de cada real a mais faturado sobrevivem à contribuição, ao contador e ao imposto; na faixa em que a redução mensal da Lei 15.270/2025 vai sendo retirada, a margem chega perto de 40 centavos. É por isso que pedir mais R$ 1.000 na proposta PJ não significa mais R$ 1.000 no seu bolso. O campo de despesas dedutíveis atua sobre essa mesma margem, mas só pelo lado do imposto: reduz a base do IRPF e não a contribuição nem o honorário. Um aviso sobre esse campo: a simulação abate o valor informado apenas do imposto, nunca do líquido. Uma despesa real sai do seu bolso de qualquer forma, então some as despesas do seu negócio por fora do faturamento de equilíbrio antes de fechar a conta.

O que esta simulação não modela

A calculadora trata o faturamento inteiro como renda tributável pela tabela progressiva mensal, o que corresponde a um cenário de pró-labore integral. Ela não modela o Simples Nacional, o anexo em que a sua atividade se enquadra, o Fator R, a variação de alíquota efetiva ao longo do ano nem o limite anual de faturamento do regime.

Isso importa porque esses mecanismos costumam puxar a carga tributária do PJ para baixo: se o seu caso se enquadra em um regime mais leve, o faturamento de equilíbrio verdadeiro fica abaixo do que esta página estima, e é essa diferença que um contador calcula com os seus documentos na mão. Também ficam de fora os custos próprios do negócio, os dependentes no lado CLT (cada um reduziria a base mensal do imposto em R$ 189,59) e o valor dos benefícios corporativos perdidos.

A reserva que substitui os direitos perdidos

Trocar de regime não elimina o 13º, as férias e a rescisão: transfere a responsabilidade por eles para você. O próprio número da simulação dimensiona isso — os R$ 1.400,00 mensais atribuídos aos direitos no exemplo equivalem a cerca de 13,6% do faturamento de equilíbrio. Guardar essa fatia de cada nota recria o que o contrato fazia sozinho.

Costuma ajudar separar a reserva em três funções diferentes:

  • Caixa de férias e 13º: paga o mês em que você não vai faturar e o décimo terceiro que ninguém mais deposita. É a parcela mais previsível e a primeira a ser montada.
  • Caixa de rescisão: ocupa o lugar do saldo de FGTS, da multa e do aviso prévio. Como contrato PJ costuma ter prazo de encerramento curto, é a reserva que evita aceitar a próxima proposta por necessidade.
  • Caixa de impostos: separada das outras duas e intocável, porque esse dinheiro nunca foi seu. Misturá-la com a reserva de emergência é o erro mais comum no primeiro ano.

A aposentadoria também muda de mãos: o empregado contribui pela tabela progressiva até o teto, enquanto o PJ decide sozinho quanto recolher e sobre qual base, com efeito direto no benefício futuro.

Erros comuns ao comparar as duas propostas

  • Comparar bruto com bruto. Salário bruto e faturamento não sofrem os mesmos descontos. A comparação honesta é entre líquidos, com os direitos somados do lado CLT.
  • Esquecer os meses sem contrato. Faturar doze meses por ano é o cenário otimista. Divida o ganho anual esperado por doze antes de comparar com o salário.
  • Ignorar o plano de saúde individual. Contratado por conta própria, costuma custar mais que o coletivo empresarial e reajusta por faixa etária.
  • Tratar o contador como opcional. Obrigações acessórias em atraso geram multa mesmo quando não há imposto a pagar.
  • Decidir pelo primeiro mês. Ele costuma ser o melhor: ainda não houve férias, nem 13º ausente, nem período entre contratos.

Quando a comparação não deveria ser só sobre dinheiro

Há situações em que o número maior não é a melhor decisão. Se a rotina proposta mantém subordinação, horário fixo e pessoalidade, a relação tem características de emprego e o risco jurídico é dos dois lados. Se você pretende financiar um imóvel, comprovar renda como PJ exige histórico e documentação que um contracheque resolve sozinho. E se a sua tolerância a meses irregulares é baixa, a estabilidade do vínculo vale algo que não cabe na planilha.

Na direção oposta, autonomia de agenda, atender mais de um cliente e um teto de ganho mais alto são vantagens reais do PJ que nenhuma calculadora precifica. Use esta simulação para saber a partir de qual faturamento a conversa sobre dinheiro fica empatada e decida o resto com o que só você sabe: o seu setor, a sua reserva atual e a sua disposição a correr risco. Antes de assinar, leve os dois cenários a um contador e, se a rotina proposta for idêntica à de um empregado, também a um advogado trabalhista.

Perguntas frequentes

Tire as principais dúvidas sobre como interpretar e usar a estimativa.

Quanto preciso ganhar como PJ para igualar a CLT?

Depende do seu salário e dos benefícios que você recebe hoje. Nesta simulação, que trata o faturamento inteiro como pró-labore tributado pela tabela progressiva mensal e aplica 20% de contribuição sobre toda a nota, o faturamento de equilíbrio costuma ficar entre 50% e 80% acima do salário bruto — porque FGTS, 13º, férias com um terço, benefícios e a contribuição previdenciária passam a sair do seu bolso. Regimes mais leves, como o Simples Nacional, derrubam esse percentual e não são modelados aqui, então trate o número como a ponta conservadora da conversa e confirme o seu caso com um contador.

O que a CLT garante e o PJ não tem?

FGTS e a multa de 40% na demissão sem justa causa, 13º salário, férias remuneradas com adicional de um terço, aviso prévio, seguro-desemprego, licenças remuneradas e estabilidade em algumas situações. Nada disso é automático no PJ: precisa virar reserva financeira construída por você.

E os benefícios como vale-refeição e plano de saúde?

Também deixam de existir como benefício. Você passa a contratar plano de saúde por conta própria, geralmente mais caro do que o plano coletivo empresarial, e recebe o equivalente ao vale em faturamento tributável. Ao comparar propostas, converta cada benefício em valor mensal e some ao lado da CLT.

Quais custos o PJ tem que a calculadora considera?

A simulação considera a tributação sobre o faturamento, o custo de contabilidade e a contribuição previdenciária do pró-labore. Não considera despesas específicas do seu negócio, como equipamentos, coworking, certificado digital, seguros ou honorários de abertura da empresa — inclua esses valores à parte antes de decidir.

PJ paga menos imposto que CLT?

Em faixas de renda mais altas, a carga tributária no Simples Nacional costuma ser menor que a do IRPF na fonte. Mas a comparação só é honesta depois de somar os direitos que você deixa de receber e os custos que passa a ter. Um líquido maior no mês pode significar um pacote pior no ano.

Existe risco jurídico em virar PJ?

Sim, quando a relação mantém as características de emprego — subordinação, pessoalidade, habitualidade e horário fixo. Nesses casos pode haver reconhecimento de vínculo, com consequências para as duas partes. Se a rotina proposta é idêntica à de um empregado, vale consultar um advogado trabalhista antes de aceitar.